Crescimento será “mais forte e melhor distribuído” em 2018, diz diretora do FMI

Economia

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que a recuperação da economia mundial no ano que vem será “mais forte e melhor distribuída”, para voltar aos níveis médios que precederam à crise financeira de 2007 e 2008. A informação é da Agência EFE.

“Em 2017, pela primeira vez em muito tempo, revisamos em alta as nossas previsões de crescimento no mundo. A recuperação será mais forte, melhor distribuída”, disse Lagarde em entrevista publicada hoje (31) pela revista francesa Le Journal du Dimanche.

Esta robustez do crescimento, segundo sua opinião, “é propícia para prosseguir as reformas estruturais, quando já foram empreendidas, ou para decidir-se a lançá-las”.

A taxa de crescimento mundial de 3,6% prevista pelo FMI para o ano que começa amanhã (2º) significa, segundo Lagarde, “voltar aos níveis médios das duas décadas que precederam à grande crise financeira de 2007 e 2008”.

Lagarde acredita que a zona do Euro está “fortemente consolidada” em comparação a uma década atrás e a moeda “vai bem”, embora tenha defendido que a união monetária – “uma criação magistral única que constitui uma alternativa à China e aos Estados Unidos” – se traduza em outros projetos sociais e de cooperação fora da Europa.

Por outro lado, julgou que os EUA alcançaram seu potencial de crescimento, em torno de 2%, mas que somente poderiam superá-lo com uma maior produtividade, algo que é “difícil” no atual ambiente de robotização e de novas tecnologias.

Ao mesmo tempo, reiterou os pedidos do FMI às autoridades chinesas para que controlem a expansão do crédito a empresas “que nem sempre são sólidas, ao ponto de alguns as qualificarem como ‘zumbis'”.

Lagarde considerou como “o grande paradoxo de 2017” o fato de que a China tenha se convertido na defensora da globalização, que se explica porque “a natureza fica horrorizada com o vazio” deixado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesse campo.

A respeito da África, previu que pode ser tanto “o continente do futuro como o dos dramas”, e muito disso dependerá do controle da demografia e das políticas de desenvolvimento.

“O desenvolvimento econômico em relação ao crescimento demográfico é uma corrida contra o relógio que se perderá se não se controla a demografia, o que acontece em primeiro lugar pela educação das mulheres e por uma tomada de consciência geral nesses países”, ressaltou